A Arte de Protestar

Ao longo desses últimos anos, mais precisamente, no ano de 2013 se iniciaram os protestos sob os mais variados pretextos e, infelizmente, uma grande parte resultando em quebradeira, destruição e, o que é pior, sem contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, continuando o país na estagnação econômica e também social.

Protesto Theatro Municipal Rio de Janeiro
Imagem/Reprodução: G1

E, me pergunto todas às vezes que assisto a tais manifestações, por quê continuamos na mesma sem avanços significativos, principalmente, sem conseguirmos obter o básico e fundamental ao bem viver de qualquer sociedade: saúde, educação, segurança, transporte, lazer.

Os protestos, com suas cenas violentas têm um forte impacto, causam medo às pessoas que se veem surpreendidas no meio deles. E perdemos todos, pois, o comércio se vê obrigado a fechar, trabalhadores são impedidos de chegar ao local de trabalho, meios de transporte são vandalizados, alunos perdem aula. A economia que já andava ruim só tende a piorar e, em decorrência desse quadro permeado pela insegurança jurídica, os investimentos buscam outros países, sem investimento, cresce também o desemprego. O que move a economia de um país, é o trabalho, o empreendedorismo, só o trabalho produz riqueza e dá ao homem o sentido de honra e dignidade de ser responsável pelo seu próprio destino e é a isto que chamo o verdadeiro poder.

Entretanto, na última semana, tive a honra de ver pela TV um protesto da arte, algo tão fantasticamente belo quanto inteligente. Os funcionários do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na terça-feira, dia 09/05/2017 deram um show de cidadania, protesto em forma de arte: sem gritos, sem violência, fazendo do ofício de levar a cultura ao povo, algo de muito valioso: a dignidade de protestar sem agredir. Ao assistir a cena, fiquei emocionada até às lágrimas e, vi várias pessoas igualmente emocionadas, mas assim como eu encantadas com tamanha expressão de beleza, em forma de protesto.

Protesto Theatro Municipal Rio de Janeiro
Imagem/Reprodução: G1

No dia seguinte, era o assunto mais comentado no meio das pessoas, seja no ambiente de trabalho, no supermercado, na academia, na escola, na rodinha de amigos e, todos com o mesmo sentimento: emoção e surpresa por ver que, mesmo em meio a tanto desalento, pela situação degradante a que estão submetidos pela falta do pagamento de seus salários, desassistidos pelo estado, esquecidos por muitos que nem procuram conhecer essa arte, tida por pessoas mal informadas, como sendo “coisa de burguês e/ou de rico”, não se permitiram embrutecer e perder o amor pelo seu ofício.

Os protestos violentos passam, são comentados no dia seguinte, para mais adiante serem suplantados por outras notícias que geram um interesse maior do público, mas servem para alimentar uma cultura de ódio, inconformismo e um “rastro” de enorme prejuízo tanto emocional, quanto material atrás de si.

Entendam sou favorável ao protesto, a que coloquemos nossas reivindicações perante aos governos, cobrar para que os impostos retornem para nós em forma de prestação de serviços aos quais temos todo o direito, inclusive, tais direitos estão previstos na Constituição (vide Título II – art. 5º). Porém, sou mais favorável a protestar desde que seja para acrescentar, melhorar, conquistar uma vida e sociedades melhores e mais humanas.

Cristo Redentor com a Bandeira do Brasil
Imagem/Reprodução: The Japan Times

Embora a comparação seja um tanto o quanto excêntrica, protestar de forma violenta, é o mesmo que ao invés de dialogar para buscar uma solução frente a problemas que gerem uma enorme crise financeira na sua empresa, os sócios, iniciem uma “guerra santa”, onde o diálogo não tem vez e o resultado, seja a falência da mesma. Portanto, sugiro que sigamos o exemplo dos nossos sábios artistas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, reivindiquemos com arte, dialogando e não brigando, sem destruirmos nossos melhores valores e, por via de consequência, toda uma nação.

Sonia Maria

Meu nome é Sonia Maria, sou carioca, com muito orgulho, advogada, empresária. Nas horas vagas adoro ler bons livros, dançar, viajar, namorar. E sou uma pessoa bastante obstinada, sei ser paciente, aliás, a paciência, é fundamental para que não desistamos dos nossos objetivos.