E, você gosta do que faz?

A melhor profissão, é àquela mais rentável, mais glamourosa, que exige menos empenho físico e/ou mental? Afirmo de forma categórica que não. O melhor trabalho, é àquele que nos dá prazer e um sentimento incrível de “plenitude”, de se sentir inteiro, sem fazer do dinheiro a única razão para mover a pessoa, na direção do que “quero ser quando crescer”.

Agente de trânsito Americano
Fonte da imagem: Wikimedia Commons

É claro que todos precisamos garantir a nossa subsistência, pois, a vida assim o exige. Porém, acima de tudo, a realização pessoal, é a coroação máxima de uma qualidade que em alguns indivíduos (creio que todos a temos latente), é algo que transcende a qualquer origem, encontrado em pessoas das mais diversas origens e independe de classe social: talento e que, significa, excelência.

Por exemplo, hoje, ao chegar a varanda, fiquei admirando um operador de tráfego, exercendo seu ofício com uma grande maestria e, de forma peculiar, ele “comandava” o trânsito parecendo um maestro, orquestrando tudo ao seu redor com firmeza, parecendo ser várias pessoas em uma só. Enquanto os demais, se limitavam a fazer o trabalho de forma mecânica, tipo: estou fazendo isso porque não tenho nada melhor a fazer, o “maestro”, gesticulava, ia de um lado para o outro orientando os motoristas.

De repente, o agente/maestro, parou ao lado de um motoqueiro, que buzinava loucamente (aliás que mania terrível essa de buzinar por tudo) e, o advertiu: “para de buzinar”. O mais engraçado é que, talvez pelo inusitado da situação, surtiu efeito. O talento desse homem, o faz se sentir importante, porque gosta do que faz e, assim o faz bem feito, fazendo toda a diferença.

Pessoas que amam o que fazem, transmitem algo diferente aos que interagem com elas, seja no trabalho, em família, ou em qualquer situação, e se sentem acolhidas, respeitadas, valorizadas.

Amo meu emprego!
Fonte da imagem: Brian Tracy

Entretanto, se o seu ofício for exercido apenas visando a remuneração ao final de cada mês, olha, de todo meu coração, aconselho que você pare, pense e veja se realmente, vale a pena continuar porque, a vida, é muito curta para tamanho sacrifício, viva o agora, ou seja, dê a si mesmo a chance de se orgulhar, de cultuar o seu talento. Atenda o “chamado” da sua vocação.

Pessoalmente, tenho a grata alegria de conviver com gente que faz da profissão um verdadeiro sacerdócio: professores, que ao invés de reclamar do salário das condições de trabalho, dão o seu melhor e conseguem operar um verdadeiro milagre, até em alunos desinteressados, transformando-os em grandes “parceiros” de aprendizado, pedreiros, que são verdadeiros “arquitetos” da construção civil, felizes por ajudar as pessoas a realizarem o grande “sonho” da casa própria, médicos, que nem cogitam do cansaço de longos plantões em hospitais, digamos, pouco nobres, motoristas de ônibus e cobradores que formam uma verdadeira “dupla” de anjos da guarda dos passageiros, em meio à condições de trabalho nada compensadoras, em meio a um trânsito cada vez mais caótico, policiais que arriscam a vida, carentes de treinamento adequado e muitas vezes criticados de forma injusta (existem, acreditem bons policiais), mas que seguem sentindo orgulho de cuidar da segurança da população, artistas maravilhosos (atores, cantores, mágicos, pintores com sua arte cheia de cor) me desculpem, por não enumerar todas as categorias, advogados, que lutam com os meandros de leis, por vezes, eivadas de “brechas” incompreensíveis, engenheiros, se equilibrando entre os desejos dos clientes, nem sempre possíveis, e a segurança de uma obra dentro da realidade, se vendo obrigados obedecer a uma “burocracia”, capaz matar qualquer talento, manicures e cabeleireiros, orgulhosos de contribuir com a imagem bem cuidada de suas clientes, algumas querendo deles o tão sonhado “milagre”, porteiros, companheiros e “cuidadores” dos moradores, mantendo uma postura de seres quase invisíveis, mas com a consciência de serem imprescindíveis, garis, eita povo de bem com a vida, já notaram como é difícil encontrar algum deles carrancudo?

Garis trabalhando
Fonte da imagem: Seoul Sounds

Certa vez, saindo de casa, o gari, que varre a rua aonde moro, ao cumprimentá-lo, me presenteou como sempre, com um sorriso e, nesse dia perguntei: por quê, você e seus colegas de profissão, estão quase sempre sorrindo e limpando as ruas com tanta alegria?

E, a resposta, me surpreendeu: “porque sabemos que nosso trabalho é muito útil, somos importantes para a cidade e, quando nos reunimos, trocamos ideias, achamos que as pessoas vivem “trancadas” nos apartamentos, cheias de preocupações. A senhora já pensou, saírem de casa e dar de cara com um gari de cara feia? Assim não dá”.

O segredo: fazer o que se gosta e ser feliz, são sinônimos e, felicidade, não tem preço, nem o talento, que todos temos e que, por razões misteriosas e muito íntimas, alguns fazem questão de deixar de exercer e ignorar.

Trabalhar na Praia
Fonte da imagem: Everday Interview Tips

Porém, nunca é tarde para dar as mãos a tal felicidade, trocar a insatisfação de uma carreira frustante, (podem não acreditar), mas conheço pessoas com altíssimos salários, sufocando o talento, passando a maior parte do tempo, aprisionados entre as quatro paredes de um escritório – quando adorariam estar trabalhando em uma praia, vendendo água de coco, por exemplo – pela falta de coragem de se arriscar a viver de forma mais simples, aonde o menos, pode significar mais: mais qualidade de vida, mais tempo para conviver com a natureza, a família, o amor, mais consigo mesmo também.

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Sonia Maria

Meu nome é Sonia Maria, sou carioca, com muito orgulho, advogada, empresária. Nas horas vagas adoro ler bons livros, dançar, viajar, namorar. E sou uma pessoa bastante obstinada, sei ser paciente, aliás, a paciência, é fundamental para que não desistamos dos nossos objetivos.


  • Adorei o post; retrata exatamente o fato de gostar do nosso emprego. E você, vossa Sonia, gosta do que faz?

    Abraço de sua nova leitora..

    • Sonia Maria Custodio

      Fernanda, boa tarde

      Amo o que faço pois, como escrevi se assim não for, perde todo o sentido. A remuneração , é a consequência de um trabalho bem feito e não pode ser o único foco.
      Seja bem vinda ao meu blog.

      Abraços
      🙂 🙂 🙂

  • Guilherme S. Marinho

    Muito bom! Parabéns Sra. Blogueira! 🙂

    • Sonia Maria Custodio

      Guilherme, boa noite
      Ai vão as minhas humildes desculpas, pois, somente hoje tomei ciência do seu comentário. Apesar de gostar demais de escrever, estou dando uma parada nos artigos, temporariamente. Porém, pode estar certo, me sinto gratificada quando gostam dos meus artigos.
      Abraços

  • Guilherme S. Marinho

    😀