Liberdade ou a falta dela?

O que mais incomoda, é a quase total falta de liberdade de ir e vir, que já faz parte da rotina da maioria dos brasileiros. As manchetes dos jornais, periódicos e telejornais, estão aí para quem quiser ver e entender que até mesmo quando, o noticiário, pela enxurrada de fatos ruins se vê obrigado a “resumir”, o incrível mundo da violência que assola o país, ficamos assustados tentando absorver, mas sem conseguir, tanta notícia ruim.

Liberdade inexistente no Brasil
Imagem/Reprodução: O Dia

Se para muitos isso é algo comum e corriqueiro, para mim, viver cercada de grades, andar nas ruas olhando por cima dos ombros, tipo: estará alguém me seguindo tentado me alcançar? sabe-se lá com que intenção? Digo que é inaceitável,termos que ficar idealizando roteiros para irmos aos lugares pelos caminhos menos “assaltáveis” – tudo bem criei o termo agora – inspirada pela indignação! E usar uma “roupinha” melhor, os acessórios lindos com os quais sonhamos, e que levamos meses juntando o nosso sagrado dinheiro para comprar é, no mínimo, se arriscar a voltar para casa, sem eles.

Gente, assim como todo cidadão de bem tento entender essa matemática cruel, que temos, mas ainda não consegui: um país, com uma das maiores cargas tributárias do planeta, com discursos dos governos tentando nos “acalmar” afirmando que tudo vai mudar para melhor. Porém, quando tento me convencer disso, lá vem mais uma das desagradáveis surpresas, justamente, do órgão máximo do judiciário: a inexplicável decisão do STF de mandar indenizar os presos pela má condição dos presídios, criando um precedente para enxurrada de ações. Além do mais, um dos maiores problemas nessa área, a super lotação, na visão das autoridades do setor, só poderá ser equacionado com a construção de mais presídios! E, a verba para tal, de onde virá? Talvez, das verbas destinadas as escolas, aos hospitais, a segurança pública, aos transportes? É uma pergunta para qual, creio somente essas autoridades tenham a resposta. E, temo também pelo uso da mente “criativa” dos nossos gestores, para a criação dessa “verba extra”!

Apesar de divergente entre alguns Ministros, a decisão, causa ao cidadão comum a sensação de que algo está fora da ordem. Entenda-se que todos temos direito à dignidade, até àqueles que estão presos por terem sido condenados por algum delito. E, nós que estamos presos, nessa “cadeia” de medo, assustados, e até mesmo cerceados no nosso direito de fazermos um simples trajeto de casa para o trabalho. E o que dizer, daqueles que muitas vezes não voltam, porque foram vítimas da violência urbana. Pelo princípio de igualdade e justiça, também não teriam que ser indenizados? E, as famílias, que perdem seus entes queridos, por uma “guerra” que parece não ter fim, qual a indenização que lhes cabe?

Liberdade inexistente no Brasil
Imagem/Reprodução: O Dia

Na minha visão, o que tem que ser contemplado, com URGÊNCIA, é a obrigatoriedade do Estado cumprir o seu papel qual seja o de investir o dinheiro arrecadado do cidadão em: escolas, habitação, saneamento básico, saúde e segurança pública, incentivar as parcerias público/privadas, para construção de portos e melhoria da malha rodoviária (escoar a produção com eficiência, é preciso), gerando com isso a criação de empregos e a retomada do crescimento.

Ao invés de melhorar as “masmorras”, como mencionado no título da reportagem, devemos nos empenhar para criar cidadãos em condições de terem uma vida digna, em especial, as crianças e adolescentes que são o futuro de qualquer país que pretenda ser uma nação, para todos, e não apenas para um segmento da sociedade. Aliás, não precisa ser nenhum “gênio”, para saber que a educação é, sem dúvida alguma, a única saída para afastar as pessoas dos descaminhos da vida gerados pela falta de perspectiva.

Pessoa com boa formação, igual a pessoa com chance de trabalho digno, trabalho digno, igual a pessoa feliz e bem remunerada, em condições de ter uma boa casa, almejar e realizar seus projetos de vida, somando todos esses fatores, menos presas fáceis para o descaminho do mundo dos delitos, da corrupção, pessoas conscientes de que uma sociedade mais justa, irá gerar um país melhor de se viver, sabendo que a violência terá tudo para perder nesse “jogo sujo”, que só beneficia uma parte da sociedade, e que na roleta da desigualdade, ganha o poder econômico que lhes dá condições de darem as cartas e ganharem, sempre.

Grades em prédios no Rio de Janeiro
Imagem/Reprodução: Juan de Souza

Como qualquer cidadão que queira ser feliz, sem precisar escolher o caminho do aeroporto (isso se conseguir dinheiro para tal saída), sugiro: ‘arrecadação de impostos” prioritariamente para: saúde (rede pública com profissionais capacitados/bem remunerados), escolas (com professores pagos de forma decente, com incentivo para se qualificarem, através de bolsas de estudos financiadas pelo poder público) polícia (tratada com respeito, bem treinada, com salário decente), e não com meras gratificações, muitas vezes, aquém do que se pode denominar “gratificação”. Menos: frotas de veículos com combustível, bancados pelos cofres públicos, menos assessores e cargos comissionados, salários nababescos, verba para viagens, cartões corporativos, benefícios estendidos aos seus familiares, “caviar”, restaurantes sofisticados, aposentadorias diferenciadas com valores inimagináveis acima do que recebem os simples mortais mesmo com anos e anos de contribuição, e tantos outros benefícios dos quais tomamos conhecimento através do meios de comunicação e que são vistos pelos beneficiados, como algo “justo e devido”, como se o dinheiro para bancá-los não saísse do bolso do cidadão comum, que dá um duro danado pagando impostos, em tudo e por tudo, inclusive um dos mais cruéis e “invisíveis”, que são os gerados por tudo o que se compra nesse país, para apenas citar um deles, os impostos inseridos na alimentação.

A população trabalhadora, tenho certeza, quer o mesmo que eu: morar sem precisar de grades, como meio de proteção, ser livre para ir e vir, sem medo de ser assaltada e, muitas vezes, contando com a “sorte” de sair ileso de tal situação, não precisar abrir mão de estar bem vestido, graças ao dinheiro fruto do seu trabalho. Creiam-me, acho o fim do mundo, ter que me submeter a não usar o que gosto, por medo de atrair a cobiça do ladrão. Poder frequentar uma das mais democráticas e saudáveis áreas de lazer, a praia, que deveria ser de todos, mas que muitas vezes, pertence aos arrastões. Frequentar cinemas, teatros, bares, restaurantes, viajar pelas estradas desse imenso e belo país, sem medo de ser surpreendida por um tiroteio e, mais arrastões.

Basta: vamos lutar pelo direito de sermos livres, leves e soltos.

Sonia Maria

Meu nome é Sonia Maria, sou carioca, com muito orgulho, advogada, empresária. Nas horas vagas adoro ler bons livros, dançar, viajar, namorar. E sou uma pessoa bastante obstinada, sei ser paciente, aliás, a paciência, é fundamental para que não desistamos dos nossos objetivos.