Os protestos e o outro

Olha gente, ontem à noite, quando parei o carro em um sinal, se aproximou um homem estendendo as mãos. Normalmente, continuaria com o vidro fechado (aquele medo de quem vive nas grandes cidades), mas abri e ouvi: “moça estou morrendo de fome”, foi como um soco no estômago. Infelizmente, não tinha o prato de comida que ele pedia, apenas o dinheiro que dei.

Então me vieram mil pensamentos, e  um deles, será que quem protesta de forma desordeira quebrando e destruindo quer mudanças ou somente descarregar a raiva reprimida? Pensei: este homem, só quer um prato de comida. Porém, ele e tantos outros, quando alguns manifestantes quebram abrigos, bancos nas praças, vitrines deixando cacos de vidros nas calçadas, nem lhes resta um lugar onde “dormir”, se é que alguém nessa situação, pode dormir direito. 

Pessoal, sou totalmente a favor dos protestos, da destruição, nunca! Pensem no outro, nas milhares de pessoas que são invisíveis em nossa sociedade e que precisam que alguém peça por elas.

Como pessoas privilegiadas que temos condições (não sabemos o que é implorar por comida) enxergamos, andamos, falamos, estudamos, trabalhamos, não deveríamos apenas protestar por melhorias na saúde, educação, transporte, segurança, fim da corrupção, mas também por aqueles que são totalmente ignorados e ficam à margem da vida, pois, nem sabem como demonstrar a sua indignação, essas  pessoas não têm voz ativa, perspectiva de um futuro melhor. 


A partir desse fato, todas as vezes que quiser reclamar, ou me lamentar, lembrarei desse homem que me deu uma grande lição de vida, ou seja, fazer alguma coisa para tornar visível e digna a condição dos “invisíveis” da sociedade.


A partir desse fato, na minha empresa, meu sócio e eu estamos procurando uma forma de utilizar o trabalho dessas pessoas. Ao nosso modo, estaremos “protestando”, pensando no outro! Convido os amigos, também tentarem usar essa forma de “protesto” para o bem de todos.

Sonia Maria

Meu nome é Sonia Maria, sou carioca, com muito orgulho, advogada, empresária. Nas horas vagas adoro ler bons livros, dançar, viajar, namorar. E sou uma pessoa bastante obstinada, sei ser paciente, aliás, a paciência, é fundamental para que não desistamos dos nossos objetivos.