Tornando possível o impossível

O tema, não é dos mais leves, mas por uma questão de cidadania e por querer um mundo melhor para mim e, sendo isso impossível sem a melhoria de vida das demais pessoas, que compõem a nossa sociedade, me atrevo a ter como modelo dessa premissa, a reportagem do jornal O Globo de domingo, 22 de janeiro.

Exemplo de um bom presídio no Brasil
Imagem/Reprodução: Jornal O Globo

O foco está em uma cadeia de Paracatu – Minas Gerais – a 200 quilômetros de Brasília, onde existe um trabalho magnífico baseado “em três pilares – trabalho, religião e disciplina – na Associação de Proteção e Assistência a Condenados (Apac Paracatu). O lugar, um prédio moderno “construído e mantido pelos próprios presos, sem policiais armados….”. O segredo? os detentos trabalham, estudam e são denominados de “recuperandos”. A pergunta, que não quer calar: por quê, este modelo de cadeia, que recupera, onde vivem pessoas condenadas pelos mais diversos delitos, a um custo bastante inferior ao das demais cadeias (nesta, cada preso custa R$ 915,00 e, nas outras R$ 4.500 por mês) e que mantém um convênio com a Secretaria estadual de Defesa Social, não é adotado em todo o país?

A palavra ociosidade, neste lugar, não tem vez. Os que lá chegam oriundos de outras instituições, nas quais imperam a violência, a corrupção (celulares, drogas e armas não entram em cadeias se não houver colaboração de fora e de dentro também, como já comprovado até pelas autoridades do setor) ao primeiro momento, sentem um choque, comparável a alguém que sai de um buraco escuro e se vê diante da luz do sol.

Ao ler a matéria, evidencia-se que o sucesso também depende duas pessoas: o diretor, Eurípedes Tobias e a advogada Vanessa Pinheiro que é a mão disciplinadora dos detentos, e tão presente, a ponto de fazer a escolta de presos. Limpeza em todos os lugares, inclusive na mente, retirando desses homens a crosta ruim dos crimes cometidos e que os colocaram nesse local. O ensinamento de valores importantes e fundamentais para fazer da pessoa um cidadão de bem, tais como respeito, estudo, trabalho, prova que recuperar pessoas, não só é possível como também uma questão de inteligência por parte das autoridades.

Presídio exemplar em Minas Gerais
Imagem/Reprodução: Jornal O Globo

Temos ainda a estória de um “ex recuperando” condenado a muitos anos e que hoje, é coordenador de uma entidade que recupera condenados, e presta consultoria as 50 Apacs já instaladas no país e que até participou de um encontro na Itália, “onde levou a experiência brasileira” e segundo a reportagem, estão construindo duas unidades Apacs na cidade italiana de Rimini.

No momento que assistimos aos noticiários, as rebeliões em diversos estados, com super lotação, violência extrema, mortes, desespero e desesperança, autoridades querendo construir mais cadeias, liberação de verbas para manutenção de um sistema comprovadamente falido e insustentável, não será que essa “crise”, ao invés de servir como munição para troca de acusações e desculpas, deveria servir como oportunidade para seguirem o excelente exemplo da Apac de Paracatu?

O roteiro desse “filme” de terror, pode e deve ser mudado e depende não só das autoridades, mas de toda uma sociedade, a começar pelos pais quando educam seus filhos sem mostrar que o bom da vida é ser honesto e trabalhador e que a perda da liberdade é um preço muito alto mesmo para àqueles que se acham poderosos por plantarem a semente da corrupção, das autoridades constituídas que assistem a tudo de forma complacente, por conveniência e/ou conivência.

Presídio em Minas Gerais
Imagem/Reprodução: Jornal O Globo

Porém, acredito que ainda é tempo para mudarmos essa situação para o bem de todos que aqui vivem e para as futuras gerações, sob pena de não o fazendo, não haver um futuro possível, nem sociedade que mereça esse nome, nem país para ter direito a ser chamado de nação.

A quem interessa a manutenção desse estado de situação, é bom lembrar que a continuarmos seguindo nessa estrada, não haverá mais caminho que leve a uma saída nem para os encarcerados, nem para os que vivem fora dos muros das cadeias, porque a violência desenfreada fará com que não exista mais liberdade até mesmo para vivermos o dia a dia, e seremos prisioneiros dentro das nossas próprias casas como já ocorre em muitas cidades e até mesmo prisioneiros da nossa consciência por não termos sequer tentado evitar tal situação.

Detalhe importante: essa cadeia, fica a 200 metros de Brasília, mais conhecida como “capital do poder“, ou seja, não é preciso um grande exercício de inteligência para saber que mais do que verba, é necessário um olhar mais responsável e empenho verdadeiro para mudar esse caos por algo que produza resultados benéficos, pois, o modelo de como “fazer” está a um passo daqueles que podem e tem como criar um sistema carcerário mais eficiente e humano, é simplesmente, copiar o exemplo, trocando o ruim pelo bom!

Sonia Maria

Meu nome é Sonia Maria, sou carioca, com muito orgulho, advogada, empresária. Nas horas vagas adoro ler bons livros, dançar, viajar, namorar. E sou uma pessoa bastante obstinada, sei ser paciente, aliás, a paciência, é fundamental para que não desistamos dos nossos objetivos.


  • Mauro Sergio Vieira Colina

    Muito bom o conteúdo!

    • Sonia Maria Custodio

      Obrigada. É apenas uma simples contribuição, com o objetivo de fazer às pessoas focarem nas soluções ao invés de nos problemas.

      • Mauro Sergio Vieira Colina

        🙂