Creative #02: Trabalhadores Anônimos S/A

Leitores queridos, vocês já pararam em algum momento para fazer uma básica reflexão acerca de um determinado grupo de cidadãos que fazem parte da nossa sociedade, mas que são seres quase invisíveis para a grande maioria mesmo sendo muito importantes em vários aspectos? Pois bem, vale a pena você conferir na íntegra esse artigo especial! 🙂

Trabalhadores Honestos no Rio
Fonte da imagem: Substantivo Feminino

As pessoas em questão, são os nossos trabalhadores anônimos que, faça chuva ou faça sol (principalmente sob um sol escaldante) em especial, na cidade maravilhosa, aonde o “maçarico” anda ligadíssimo, nos “socorrem”, em meio aos constantes e imensos engarrafamentos: são os vendedores ambulantes.

Os ambulantes, transitam entre um “mar” de veículos, na maioria das vezes, gritando para chamar a atenção, muitos com um sorriso e dando a impressão que não importa o quanto os condutores tentem ignorá-los, creiam-me, eles sabem ser os campões da persistência. Tipo: vai água aí doutor, biscoito, bala, batata frita?

E mesmo quando as pessoas assumem a atitude de “tô nem aí”, eles dão àquela batidinha no vidro e, com um ar de SER desamparado, conseguem não raro conquistar o “freguês”! Por exemplo, eu mesma, acabo comprando a balinha que acabará fazendo parte do acervo no console do carro daquelas coisas que ficam ali esquecidas, sem se saber o porquê.

Trabalhadores Honestos no Rio
Fonte da imagem: Rio em Fotos e Dicas

Os ambulantes, merecem todo o nosso respeito, pois, travam uma luta diária duríssima para ganhar o sustento sem que tenham qualquer espécie de suporte, sem o respaldo de qualquer benesse oficial ou patrocínio, se arriscando, sujeitos aos humores de motoristas que acham graça (falta de senso) em tirar um “fino” se prevalecendo do fato de estarem “motorizados”.

E, a propósito, já presenciei alguns motoqueiros guiando entre os carros sem se importarem com essa categoria de trabalhadores/batalhadores que correm o risco de serem atingidos.

Os ambulantes, têm orgulho do que fazem e têm motivos de sobra para isso: a guerra pelo sustento não lhes tira a dignidade e a consciência daqueles que preferem lutar para sustentar a família de forma honesta, longe do estigma da corrupção, da troca de favores.

É a tal história, o tipo de brasileiro que pode dizer: não dependo de ninguém, somente do meu trabalho para me sustentar , ando de cabeça erguida e durmo em paz com a minha consciência. Claro está que, seria utópico da minha parte, afirmar que em meio a tanta gente boa, inexistem aqueles que se aproveitam para praticar atos pouco louváveis.

Porém, por uma seleção natural, os tipos aproveitadores são logo identificados pela maioria honesta e banidos por não conseguirem se sustentar nesse “ofício”, que não dá muito espaço a tal descaminho.

Aos ambulantes, não assiste a proteção de uma legislação que lhes garanta o amparo de benefícios sociais, tais como: carteira assinada, fundo de garantia, férias (não podem se dar ao “luxo” do descanso remunerado), 13º salário, participação nos lucros da empresa – são eles a própria empresa – nem plano de saúde, nem as mulheres que fazem parte dessa “tribo”, contam com o suporte de creches aonde possam deixar os filhos, se valem da boa vontade de parentes ou amigos para conseguirem sair para a labuta diariamente.

Façamos uma reflexão: essa categoria não promove passeatas, não levanta bandeiras revolucionárias, não invade terras e/ou condomínios, não incita a desordem, simplesmente, porque estão ocupados o suficiente em garantir o sustento e, em alguns casos, a tradição desse trabalho já passou de uma geração para a outra.

Trabalhadores Honestos no Rio
Fonte da imagem: CaosCarioca

Ao invés de muitos reclamarem tanto, se fazerem de vítimas, tomem essas pessoas como modelo, reclamem menos e façam um auto exame de como são felizes por terem empregos bem remunerados, trabalharem em ambientes confortáveis, com seus benefícios sociais garantidos.

A meta dessa gente é melhorar de vida, pelo esforço contínuo, fazendo tudo quanto for possível para dar aos filhos uma condição de vida menos sofrida, sabendo que somente o conhecimento adquirido através do estudo poderá fazer a diferença.

Apesar de ser um trabalho digno e honrado, essa categoria, se esforça para que seja “quebrada” essa tradição de pai para filho, não por orgulho ou soberba, mas sejamos francos, qual o pai que não quer para os filhos uma bela guinada na condição de vida?

A esses trabalhadores anônimos, autônomos pela própria natureza que o trabalho lhes confere, meus mais sinceros votos de que dias melhores venham a fazer parte de suas vidas e, acima de tudo, torço pelo reconhecimento da sociedade que de tanto gritar por justiça, sem que seja ouvida, faça a justiça de dar a essas pessoas o devido valor.

E, quando por elas passarem a “bordo” de seus veículos, sejam mais participativos comprando não por piedade, isso seria um desrespeito, mas por solidariedade e pelo desejo de incentivá-los a continuar, porquanto uma imensa parte deles vai ficar nessas estradas afora por não terem como mudar de profissão. Acima de tudo, se coloquem no lugar deles. Pensem como se sentiriam se sua trajetória os colocassem no lugar aonde essas pessoas estão.

Sonia Maria

Meu nome é Sonia Maria, sou carioca, com muito orgulho, advogada, empresária. Nas horas vagas adoro ler bons livros, dançar, viajar, namorar. E sou uma pessoa bastante obstinada, sei ser paciente, aliás, a paciência, é fundamental para que não desistamos dos nossos objetivos.


  • Muito bom, moro aqui na Delfim Morerira, no Leblon e tenho orgulho de compartilhar com meus amigos e amigas esse artigo. Parabéns! Sucesso!

  • Sonia Maria Custodio

    Maria, boa tarde

    Obrigada pelo carinho com que trata o nosso trabalho.

    Abraços

    🙂 🙂 🙂